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Jovem pede demissão e faz queixa na polícia dizendo que gerente comparou o cabelo dele com pelos pubianos

Postado em 10/05/2021 por

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Jovem alega que sempre foi alvo de “ofensas e brincadeiras de mau gosto” por parte do suspeito. No restaurante, novo gerente diz que suspeito foi afastado e setor jurídico está cuidando do caso em MS.
Jovem ressaltou que saiu do serviço e foi direto para delegacia após ofensas  — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Jovem ressaltou que saiu do serviço e foi direto para delegacia após ofensas — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Um jovem de 23 anos, que estava atuando como copeiro de um restaurante na avenida Afonso Pena, em Campo Grande, pediu demissão após uma semana de trabalho. No último dia, ele saiu do local e foi direto para a delegacia, onde fez uma denúncia de injúria racial contra o gerente, alegando que ele comparou o cabelo da vítima com os próprios pelos pubianos.

Segundo o boletim de ocorrência, registrado na tarde da última terça-feira (4), o jovem alega que sempre foi alvo de “ofensas e brincadeiras de mau gosto” por parte do suspeito. Na data dos fatos, ele conta que chegou de cabelo solto e o gerente disse que “era igual ao cabelo do saco dele”, ainda conforme o relato do jovem.

Naquele momento, o funcionário disse que outros colegas presenciaram a fala e o momento em que ele saiu rindo, sendo que esta não seria a primeira vez que ele feito ofensas por conta da sua origem racial.

“Eu sempre lidei com racismo em minha vida, em inúmeras situações, inúmeras vezes. Quando cresci no mercado de trabalho, até entendi que existem brincadeiras, jeitos de falar e é assim que é o racismo, é literalmente a brincadeira que, para eles, é brincadeira, só que, para nós, nunca foi. E quando entrei na empresa, já entrei pensando que só queria ser respeitado, então, eu respeitava os outros. Tratei todo mundo lá com respeito e queria isso de volta também”, afirmou ao G1 Pablo Kallew Oliveira dos Santos.

Sobre a fala do gerente, o jovem comenta que, dias antes, ele já tinha reclamado do jeito que ele e o colega usavam o boné. “Ele poderia chegar e nos dizer que não ficava apresentável usar para trás, não sair gritando no meio do salão falando que não tinha contratado maloqueiro, que só tinha malandro trabalhando na copa dele. Foi a primeira vez e aí eu já fiquei meio assim….na segunda vez eu já fui sem boné porque tinha lavado o cabelo e sabia que iria colocar a touca”, argumentou.

No entanto, assim que chegou para trabalhar, teria passado pelo gerente e aí então teriam ocorrido as ofensas. “Passei na frente dele com o cabelo solto, desejei bom dia e ele simplesmente acenou, fui direto pro banheiro, coloquei minha touca e fui direto trabalhar. No mesmo instante, ele veio em nossa direção, com meu amigo do meu lado esquerdo, tinha mais dois ou três garçons por ali e ele falou que na hora que eu entrei, que o meu cabelo lembrou o cabelo do saco dele, quando era pequeno e saiu dando gargalhada”, falou.

Fui até não aguentar mais, disse jovem

Em seguida, mesmo nervoso, o jovem conta que virou as costas e retomou o trabalho. “Continuei até não aguentar mais. Meu amigo me pediu calma, paciência e eu tive. Fui lá fora, fumei um cigarro, fiquei um tempo lá e lembrei de tudo o que eu vivi, lembrei de tudo o que eu passei, das experiências e depois tomei a decisão de sair da empresa e fazer a queixa. Não consegui nem comer, estava muito agoniado”, relembrou.

Dois dias depois, o jovem conta que retornou ao local para receber os dias trabalhados e encontrou com o gerente. “Eu troquei algumas palavras com ele, só que, em momento algum, ele me pediu desculpas, não olhou na minha cara, fingiu que nada tinha acontecido. Sei que outras pessoas também passaram pelo mesmo problema e não tiveram coragem de falar e é por isso que não vou me calar. Não vamos nos calar”, argumentou.

O advogado do Pablo, Gialyson Correa, explicou que o caso está na fase inicial. “É um crime considerado de menor potencial ofensivo, mas, de crime propriamente de racismo. A pessoa que cometeu o ato comparou cabelo da vítima aos próprios pelos pubianos. Isso é muito grave, é algo totalmente inaceitável. Nós vamos lutar nessa fase de investigação para poder mudar o verbo do crime, mudar o tipo penal para crime de racismo”, disse.

A reportagem tentou conversar com o suspeito, mas, não conseguiu contato. O novo gerente do restaurante, que se identificou como William Santos, disse ao G1 neste sábado (8) que ele foi afastado temporariamente e que o jurídico da empresa já está tomando conhecimento dos fatos.

“Eu estou como novo gerente, desde que ele [suspeito] foi afastado. Não estamos sabendo de outros casos, apenas que a parte jurídica da empresa está cuidando desta questão”, finalizou.

O crime de injúria Racial, que é o de ofender alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência, está previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. A pena varia de 1 a 6 meses, além de multa. Já a pena para racismo varia de 2 a 5 anos de reclusão.

Jovem usou redes sociais para falar sobre denúncia de injúria racial em MS — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Jovem usou redes sociais para falar sobre denúncia de injúria racial em MS — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Fonte/Dados: G1 MS

Por: Thiago Silva

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